quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A melhor das opções

Mais um dia de recomeço. Mais um primeiro do resto da minha vida. Comecei hoje uma nova quimioterapia, mais agressiva, a ver se a coisa se compõe. No entanto, a medula cansada de tanta porcaria produz menos plaquetas. E esta quimio arrasa com as ditas cujas. Assim sendo, tenho de ver como me sinto com isto e que riscos corro se partilhar espaço com gente, por exemplo, constipada. Um espirro pode ser um perigo, imagine-se.
Mas quem é que quer viver assim? Só aqueles para quem a outra opção é... o fim. Portanto, entre muitos outros, eu quero!

T.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Amigas do coração

De tudo de mau, muito mau que o cancro me trouxe, há uma luz que nunca se apaga: as novas amizades que criei à conta desta horrível doença.
Amigas improváveis, gente de todas as idades e locais, que provavelmente nunca conheceria de outra forma. São hoje parte da família, da minha família do coração, amigas para sempre, longe seja o sempre...

Vocês sabem quem são, só posso agradecer-vos por tudo o que me dão.

T.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Um palavrão

Hoje, mais um dia difícil. Levei uma nega para um tratamento de radioterapia em que depositava esperanças....
Não haverá boas notícias? Precisa de uma das boas...

Palavrão (pensado mil vezes)

T.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Mais uma vez

Ontem foi um dia duro. Olhar-se para exames médicos e análises e ver-se uma doença a crescer dentro de nós sem que se faça sentir, é uma sensação tremenda. Horrivel. Cruel.
No cancro, tudo é feito à traição. Cria-se um corpo autónomo, dentro do nosso, que se alimenta do que lhe damos e, pelas costas, nos mata.
Este, o que cresce em mim, anda a ver se me abate e a verdade é que tem conseguido pequenas vitórias que o poderão levar à glória final. Chega-se o tempo em que ele está maior e eu começo a encolher: tenho menos energia, menor capacidade de combate... e ele cresce e reforça-se com o que rouba de mim.

Hoje, estou a perder. Mas ainda vou à luta, pelo menos mais uma vez.

T.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Dor sem ondas

Dentro da máquina da Ressonância Magnética, tenho sempre a visita de uma meia dúzia de lágrimas que, perante a imponência da máquina e a pequenez da pessoa que se encafua ali dentro, não resistem em se manifestar. Como eu as compreendo...

Se pudesse, choraria durante dias a fio, meses talvez, deixando sair a dor que certamente terei acumulada dentro de mim. De vez em quando, saltam umas lágrimas rebeldes, que as outras lá ficam, firmes e determinadas a não levantar ondas.
Mas não posso. Nem quero. Já basta o que sofro em consciência, não quero saber nem sentir o quanto mais poderia ainda sofrer... era só querer, motivo não tem faltado.
Mas não, é melhor não...

T.






quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Dois e milhões de corações

Mais do que as dores físicas ou o mal estar de certas medicações, o que mais dói é mesmo o coração. Aquele outro coração, não o que bate, mas o que sente, o que se aflige, o que teme e que também se alegra e inspira os momentos felizes... Aquele que, em conjunto com o outro, nos faz viver. Só com um não existimos... não somos ninguém...

É esse outro coração que nos liga aos outros, é através dele que estamos juntos, que nos amamos, que nos completamos. Por vezes, imagino que existe um coração muito grande onde nos juntamos todos, todos os que têm mais e mais corações... 

Cada vez mais sinto a minha dor colada às dores alheias, cada vez mais compreendo que as dos outros são minhas e as minhas são de todos os que se importam.

É por isso que sinto tanto, é que não são só os meus corações que batem dentro de mim...



terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Meia xoné

Esta semana não estou grande coisa. Não gosto de me sentir assim. Durante os cinco anos que já levo de pancada, tenho conseguido manter-me à tona com alguma boa disposição, em especial socialmente. Quando as forças me falham, já conheço o que se segue: fecho a concha e deixo-me lá dentro a dormir, ver TV, ler, caminhar na praia... sozinha. É assim que estou agora. Dentro da concha. Só abro quando chega a Joana e faço de Teresa, a mamã (como ainda me chama).

Vamos lá ver quando isto passa...

T.